segunda-feira, 9 de abril de 2007

"Abre-se agora essa estrada,crescida nos treze tramos em alvenaria rectangular e fria da nave central de Alcobaça. "



Foto de Marques de Abreu
In A Arte em Portugal


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Castro movente em obsessiva serenidade



Abre-se agora essa estrada,
crescida nos treze tramos em alvenaria
rectangular e fria da nave central de Alcobaça.


Levada a esse transepto coalhado de luz rasa,
dos anos curando o ar num estalo vestalino.


Elevando, em nervuras e arcos torais,
a outra face da secreta obscuridade das palavras,
que no extradorso, em ripas e caibros
de carvalho e castanho, clama escondida .


Correndo há muito entre os fumos que a memória escoa,
numa combustão lenta que o céu teima em alimentar
mas a carne esfria.


Tentando agarrar, com os dentes, a fina película de luz
que a mansidão deste caminho, ao dissolver-se, deixa moldar,

indiferente ao rasto de lumes condensados
que no entardecer o céu, ao fermentar, evapora.


Onde o tempo trama a sua empoalhada teia,
as varas difusas, incorporadas neste chão,
percutem, no mês primeiro, a manhã igual

devorada pelos veios brancos, antes de aço fino,
que aqui hoje edificam a sua ausência.

Insondável como o silêncio que um só olhar jacente povoa.


O nome, liberado num recôndito bocejo,
que os mármores empalhados,
o seu corpo abotoam,

não deixam transparecer.


As lágrimas que os opalinos ralos da fronte humedecida esvaem.


O abismo rasgado nos oblíquos filamentos das frestas.


Os murmúrios dum País embarcado no Mondego,
movente, em obsessiva serenidade …




Augusto Vieira (César )

1 comentário:

Anónimo disse...

foi então que a luz
iluminou os dias
tardou mas jorrou

cravo