Mosteiro de Alcobaça
Transepto
Túmulo do rei D. Pedro I
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Como pôde o rei prometido deste país verde deixar rolar aquele fatídico momento.
Como posso caminhar no chão do céu se ainda me trazes este fogo, assim tão apertado,
inquieto, cheio de saudade: os teus dedos desenhados no meu coração de ar …
Como poderei estar calmo se os meus olhos estão duros, nada podendo arrancar deste
incessante silêncio que te guarda…
Agora descubro-te nos botões que a noite em correria louca desaperta
no suor de uma estrela, colocada no mais fundo do Universo…
Estou aqui pousado, não sofrendo mais os fios que um dia irão abrir as tuas asas no meu corpo…
É o teu rosto branco que ainda espero todas as manhãs. A água que o rodeia diz-me
o quanto está perto e em mudança…
São estas vagas de gente bárbara que me conduzem até ao fim da minha mudez…
Sou Pedro I de Portugal e quero partir…
César
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